• E AÍ, É UMA BOA HORA PARA SE INVESTIR NO BRASIL?

    AGENDA – ANO 8 - NÚMERO 87 - 2017 - Setembro Antonio Fernando Guimarães Pinheiro - Advogado e Sócio Fundador

    O país defronta-se, de um lado, com uma situação econômica extremamente delicada, com mais de 13,5 milhões de desempregados, com o mercado consumidor em baixa, com um déficit fiscal astronômico, tendo assistido nos últimos anos ao encerramento das atividades de mais de 120 mil empresas.

    De outro lado, convive com grande incerteza no cenário político, capitaneado por um governo temporário até 2018, e com pouca perspectiva de ver aprovadas reformas essenciais para viabilizar sua recuperação econômica.

    E aí, é uma boa hora para se investir no Brasil?

    Alguns experts nesta área avaliam que o momento é bastante propício para o investimento estrangeiro direto e acreditam que o Brasil será destaque no ranking global, ainda que o volume de investimentos fique próximo daquele registrado em 2016, que foi da ordem de US$78,9 bilhões.

    Outros temem que, mantida a incerteza no cenário político e a grave situação econômica, os investidores estrangeiros que aqui aplicam seus recursos tenderão a liquidar suas posições e buscar países menos sujeitos a traumas econômicos, políticos e sociais.

    O sentimento geral dos analistas internacionais é de que o Brasil tem uma economia razoavelmente robusta, com recursos naturais abundantes, população jovem e um mercado consumidor com enorme potencial e, uma vez superados os problemas conjunturais, certamente voltará a figurar no topo da disputa econômica por novos investimentos externos.

    É certo que o setor elétrico, que até então vinha absorvendo parcela significativa dos investimentos externos, continua como uma das áreas mais atraentes. Também na área do petróleo e nas indústrias automobilística e farmacêutica novos investimentos são esperados.

    Ao mesmo tempo, persiste enorme demanda de investimentos em setores essenciais como a saúde e infraestrutura, que possibilitam retorno bastante atraente no longo prazo.

    Verifica-se também grande oferta de ativos e as melhores empresas do ranking nacional estão com preços racionais e capacidade ociosa, não exigindo a priori grandes volumes de investimento para ampliar suas atividades na medida em que ocorrer a esperada recuperação econômica.

    Por outro lado, os investidores estrangeiros, além de contarem com uma taxa de câmbio altamente benéfica, trazem na bagagem financiamentos de longo prazo e em condições extremamente mais competitivas do que as linhas aqui existentes.

    O governo já identificou esses fatores e vem trabalhando para modificar as regras atuais para torná-las mais favoráveis ao capital externo, incluindo a ampliação do acesso ao crédito público por empresas estrangeiras e a diminuição das exigências de conteúdo local ao setor de petróleo.

    Além disso, a reforma da previdência social, caso aprovada, contribuirá decisivamente para o avanço do país na superação dos seus problemas estruturais, abrindo caminho para a recuperação econômica e para a atração de novos investimentos externos.

    Resta, pois, aguardar os futuros desdobramentos dessas questões para que o Brasil possa sair definitivamente da berlinda, ante os olhos do mundo, e continuar sua marcha rumo a um novo patamar de desenvolvimento.